
Você foi concebido num LAGO (placenta) e lá esteve, mesmo quando houve turbulências em seu transporte (ventre materno). Lá você recebeu, além da necessidade de voltar ao LAGO, todos os outros ingredientes necessários à sua sobrevivência: Paz, Segurança, Amor, Alegria, Renovação, Ritmo, Serenidade, Persistência, Continuidade, Calor, Aconchego, Acolhimento, Fé. E quantas outras coisas mais você poderia acrescentar à sua lista!
Você pode ter nascido e depois sobrevivido perto de uma CASCATA, grande ou pequena, mas o barulho e a queda lhe deram uma referência de agitação e de medo, mesmo lembrando a você que ela é a Persistência, é o Compasso, é a Continuidade da vida, junto àquilo tudo que o Criador lhe presenteou.
Pode também ter vivido perto de um RIO que, continuadamente, segue a sua direção e que, às vezes, tem que se juntar a outros afluentes para aumentar de volume – o que o desviará do percurso e da comodidade de ser calmo, afastando-se, por vezes, dos seus tranquilos afazeres, mesmo sendo nobre a outra tarefa de ser Rio.
Pode ainda ter vivido perto do MAR que, às vezes, se agita, outras vezes parece adormecido, salvo o barulhinho que vem de suas marolas. Sua imensidão é rica, mas amedrontadora e, nessa infinitude maravilhosa, encontram-se também muitos perigos. Isso faz com que você, sendo LAGO, esteja sempre vulnerável e inseguro, oscilando antagonicamente entre ódio e amor, esquecendo-se de ver a beleza imensurável de ser MAR.
É assim que vamos metamorfoseando nossas vidas. Por natureza e egoisticamente LAGOS, tememos as outras fontes de água, ou as vivemos tão intensamente, descuidados da influência dos mares, dos rios e das cascatas, que esquecemos qual é a nossa essência: SERMOS LAGOS. E parece até perigoso, depois de termos nos transformado em formas adversas, voltarmos aos nossos “espelhos”, a nossa essência original. Como Narciso, personagem da mitologia grega emprestada à psicanálise, poderemos correr o risco de morrermos afogados nessa vaidosa contemplação.
É preciso, entretanto, voltar sempre aos espelhos d’água para fazermos reflexões, sim! Refletir o quanto nos tornamos diferentes da nossa originalidade, o quanto dela nos distanciamos. É lá, nesse espelho, que iremos reconhecer o que acrescentamos – de bom ou de mau - em nossas vidas.
Somos hoje a cascata ameaçadora ou aquela que flui junto aos lírios, respingando gotículas de água brilhantes sob a luz solar? Somos um rio de afluentes, onde nossos braços envolvem outros braços para adquirir mais força, ou seguimos sozinhos, para secarmos mais à diante?
Será que não nos tornamos mares agitados e tenebrosos em dias de tempestades, ou será que nos deixamos envolver pela calmaria em belos dias de sol, permitindo que as gaivotas nos pousem a superfície em busca de alimento?
Nós podemos ser outras águas. Até água parada, se quisermos experimentar.
Podemos também nos misturar: água doce com água salgada, mas não podemos deixar de ser água potável e esquecer a nossa essência, a de ser LAGO. Remetermo-nos a ela é reconstrução do equilíbrio, da força, da vontade de viver, e da nossa Fé, a qual nos leva de volta ao Criador de todas as fontes de águas!
Ahh... retorno sempre a este "lago".
ResponderExcluirE encontro muita PAZ.
Deixo o meu beijo e o meu bem querer!! ❥¸¸¸¸.☆¨¯`♥❥ƸӜƷ...♥ ♥ ƸӜƷ